A 5 de Dezembro do próximo ano, fará 50 anos que largámos de Alcântara rumo a Angola.
Éramos um conjunto de jovens que partia para um mundo relativamente desconhecido e carregados de sentimentos que hoje, passados tantos anos ainda não somos capazes de definir.
Passados 27 meses, quando voltámos (os que chegaram em boas condições), estávamos prontos para entrar na vida. O que estava para a frente, não iria ser certamente, pior.
Podemos afirmar que nos sentimos em paz, no final destes 50 anos. Cumprimos uma obrigação. Fomos defender aquilo, que na altura, eram as nossas colónias. Durante anos e anos no decorrer da nossa aprendizagem, ouvíamos realçar o nosso sentido de Pátria pela grande extensão do nosso território e pelas conquistas que os nossos heróis realizaram nos cinco continentes.
Lutámos como membros das forças armadas e por isso não sentimos remorsos, apesar das duvidas e incertezas que nos assaltavam no decorrer da nossa acção. Disseram-nos que iríamos fazer policiamento, que não guerra. Então o que era aquilo? Que a pacificação seria rápida. Não foi.
A vida naqueles espaços das matas, das picadas, dos confrontos, doenças, medos, das noites, chuvadas, perdidos, sem forças, endureceu-nos e cimentou relações de camaradagem que perduram e, é isso que pretendemos realçar no início deste blog. No decorrer deste ano, deverão enviar para aqui as vossas mensagens contando as histórias que considerem interessantes.